Primeiro é preciso admitir que é praticamente impossível não se empolgar com um grande sucesso. Nem Netflix, Globo, Fox ou qualquer outra produtora de conteúdo consegue dar fim a um produto que deu muito certo na primeira temporada.

A fantástica “Thirteen Reasons Why” é um exemplo. Sua primeira temporada foi um estrondoso sucesso em todo o mundo. A história de Hanna Baker e seus “motivos” para cometer o suicídio intrigaram o público, que rapidamente transformou a série em um dos maiores sucessos da Netflix em 2017. O sucesso foi tão grande que gerou grandes discussões sobre o tema, chegando a ser abordado até em escolas e palestras, além de ter impulsionado ainda mais as vendas do livro homônimo do autor Jay Asher.

Bom, a pergunta é: “Será que vale a pena continuar uma história já encerrada?”. Eu sempre defendi que sim. É um estímulo para se reinventar e conseguir superar as ideias iniciais. O fato é que “13 reasons” decepciona. A continuação consegue ser tão ruim, que enfraquece a primeira temporada. A continuação foge das principais qualidades, tanto de filmagem, como de roteiro. O texto é fraco, piegas e extremamente apelativo. O tema, antes considerado importantíssimo como alerta ao “bulling” e outros problemas sociais, na segunda temporada é apresentado de uma maneira muito mais ilusiva e até mesmo fantasiosa, tirando sua seriedade.

Confesso que esperava ansiosamente por esta sequência. Pouco antes de 15 dias da estreia da série, em nenhum portal da internet se anunciava a data do lançamento e isso me deixou curioso, pois um sucesso como este, deveria ao menos ter sido melhor trabalhado pela Netflix. Mas minha opinião mudou, ao assisti-lo. No fundo acho que foi uma estratégia para não gerar muita expectativa e decepcionar tanto os fãs (como aconteceu comigo) ou talvez, por eles mesmos saberem que o produto estava muito abaixo do esperado e tentassem salvar o projeto de alguma maneira.

“Thirteen Reasons Why” não é o primeiro e não será o último caso destes. No cinema existem tantos casos (Efeito Borboleta é o que mais me recordo). É preciso saber dar fim a um grande sucesso e deixa-lo na saudade, em vez de decepcionar e cair no esquecimento.